O governo de São Paulo vai adiantar o recesso escolar de 15 dias para paralisar as aulas e fechar escolas no momento mais difícil da pandemia no Estado. Segundo apurou o Estadão, a medida está sendo discutida nesta quinta-feira, 11, em reuniões com membros do governo e do Centro de Contingência contra a Covid e deve ser anunciada às 12h45. As escolas particulares e municipais terão autonomia para fechar ou não.

Em vídeo no twitter nesta quinta-feira, o governador avisou que vai tomar medidas mais restritivas para conter o avanço do coronavírus. Segundo o Estadão apurou, o governo deve restringir horários de funcionamento de padarias e mercados, para diminuir a circulação de pessoas. Cultos religiosos e futebol também devem ser proibidos.

Desde quarta-feira, os membros do centro de contingência e do governo já fizeram três reuniões para decidir as restrições. A sensação atual é a de que a fase vermelha não foi suficiente para conter a circulação. “Estamos tentando equilibrar essa equação da economia com a saúde. Mas temos que entrar numa nova etapa do Plano São Paulo. Ela é mais restritiva, eu reconheço. Não é fácil tomar essa decisão, uma decisão impopular, difícil, dura. Nenhum governante gosta de parar as atividades econômicas do seu Estado”, disse Doria, no vídeo.

O recesso escolar na rede estadual acontece em abril e em outubro, totalizando 15 dias. As outras redes têm calendário próprio e costumam fazê-lo em julho. O secretário de Educação, Rossieli Soares, tem lutado internamente no governo para manter as escolas abertas, como fizeram países desenvolvidos. Elas funcionaram até agora por um decreto estadual que permitia o funcionamento da educação até na fase vermelha do plano de flexibilização.

Segundo o Estadão apurou, a Prefeitura de São Paulo também defende que as escolas continuem abertas e vai estudar a recomendação do Estado para fechamento por 15 dias. Rossieli vai recomendar que a educação continue aberta para os alunos que mais precisam, como já havia feito na semana passada. E também que continuem com a presença de 35% dos estudantes, por turno.

Na rede estadual, a merenda continuará sendo servida para quem necessitar, já que as merendeiras estarão nas unidades. As escolas também continuarão a entregar os chips para que os alunos possam usar em ensino remoto e materiais didáticos nesse período.

“Teremos de adotar medidas mais restritivas de distanciamento social para diminuir a circulação do vírus. É a única forma para tentarmos neste momento conter a aceleração das mortes e evitar que tantas famílias sejam devastadas, como vem acontecendo todos os dias. Aqui e no Brasil”, afirmou o governador em vídeo. “Infelizmente, nós chegamos no momento mais crítico, mais crítico da pandemia. Nossos hospitais estão chegando no limite, no limite máximo de ocupação. Essa nova cepa do vírus é muito agressiva, é muito perigosa.”

São Paulo está com fila de espera para leitos de internação pela central que regula transferências, vinculada ao Governo do Estado. Neste mês, ao menos 27 pessoas morreram à espera de um leito (Taboão da Serra confirmou o 12º óbito na quarta-feira).

A taxa de ocupação é de 82% em UTI no Estado, média que é de 82,8% na Grande São Paulo. Em enfermaria, a ocupação é de 66,1% no Estado, enquanto é de 74,2% na região metropolitana da capital.

Nesta terça-feira, o Estado registrou 517 mortes pelo novo coronavírus, o número mais alto desde o começo da pandemia. Até então, o recorde era do último dia 2, com 468 óbitos. O número de casos também continua subindo, e é o maior deste ano, com registro de 16.058 infectados em 24 horas.