Ontem a fanática torcida Botafoguense, viveu mais uma tarde dramática com requintes de crueldade até o final da rodada. Vendo seu time sucumbir diante de uma Equipe muito superior em todos os aspectos, Red Bull Bragantino, por 2 a 0 no Estádio José Liberatti em Osasco, restou aos torcedores depositar todas as suas esperanças em um gol do Palmeiras diante do Água Santa, já que o outro resultado que precisava estava acontecendo, a derrota do Oeste para o Corinthians e assim a combinação necessária para salvar o Botafogo aconteceria.

Até que, através de um pênalti, batido por Luis Adriano, atacante do Palmeiras, defendido pelo goleiro do Água Santa parcialmente, no rebote fez a torcida do Botafogo vibrar como se fosse um gol de seu time e se aliviar. No embalo no “Vai dar certo!!! De novo!!” lançado por esta Equipe de Esportes, acabou dando certo! De novo!

Mas o torcedor Botafoguense tem algo para comemorar?

Claro que não!!!

A tal “Administração Profissional”, implantada no Botafogo Futebol S/A, já deu mostras de que “Profissional” tem apenas o nome do Departamento. Senão vejamos:
Na primeira competição em 2019, precisou do apoio e participação fundamental de sua torcida para se safar do Rebaixamento. Deu certo, assim como já havia dado em 2012 e 2016. A diferença é que nestes anos, não havia a tal profissionalização no Futebol do Clube, que era administrado pelos seus abnegados.

Os resquícios deste mal planejamento feito no início de 2019, refletiram diretamente no orçamento do Brasileiro da Série B, onde recursos que poderiam ser investidos no elenco, tiveram que ser desviados para rescisões e multas assim como salários de jogadores que nem atuando ou treinando estavam. Além disso, ainda informações de que Cotas de Direitos de transmissões foram bloqueadas na CBF pela Justiça comprometendo ainda mais o futebol e o final do primeiro turno, pós paralisação da Copa América e praticamente todo o segundo turno deste Brasileiro da Série B, de novo muito distante daquilo que sua torcida almejava. Para muitos, o Clube perdeu uma grande chance de acesso logo no primeiro ano de Série B, após 16 anos.

Já era a segunda montagem de elenco deste Departamento Profissional de Futebol, comandado por Gustavo Oliveira e Adalberto Baptista que decididamente deus mostras de que não estavam funcionando, tanto é que apresentou prejuízos financeiros no exercício de 2019.
O discurso de que aprovaram a campanha na série B de 2019 e estavam satisfeitos com o desempenho não refletiu nas atitudes dos seus dirigentes na prática. De novo uma reformulação quase total do elenco foi feita. Se foi satisfatório o resultado, porque mudar tanto?

Chega o início de 2020 e com o anúncio de que haveria uma redução drástica nos investimentos do Futebol, e se instalava o prenúncio de que com recursos reduzidos, as chances de sucesso também estariam reduzidas. Mais um sofrimento à vista!

Como integrante do Departamento de Futebol, coube à Osvaldo Festucci, Presidente do BFC, se expor e trazer esta realidade publicamente.

Time montado com muitas apostas, jogadores com currículo até certo ponto animadores, com um Técnico que agradou à todos desde seu anúncio, o time rendeu aquilo que se esperava dele diante do discurso de economicamente barato. Nada!
Wagner Lopes e sua Diretoria Profissional já na estréia viu seu time competitivo, pegador, com muita boa vontade em campo, ser goleado pelo Corinthians por quatro gols na largada do Paulistão.

Passava o tempo e a cada rodada ficava evidente que mais uma vez, o Departamento de Futebol não funcionou. De novo! Pela terceira vez seguida!

Até que o ápice da humilhação para seus torcedores dentro do Estádio Santa Cruz, junto à linda Arena Eurobike, veio a goleada sofrida por seis gols para o Mirassol. E olha que este Mirassol, um time comandado por abnegados, sem o rótulo de empresa e profissionalização em seu Futebol, sem calendário nacional garantido para o segundo semestre impôs até ali a maior vergonha torcedor Botafoguense neste ano, que através de ações de protestos, mensagens em Redes Sociais tenta em vão ecoar seu descontentamento com os resultados obtidos por esta gestão no Futebol.

Em vão, porque para quem tem o comando, a palavra é sempre de que tudo está caminhando bem. Até que o Sr Adalberto Baptista admitiu publicamente que o seu Departamento de Futebol não apresenta resultados satisfatórios e que precisa de mudanças. Mas o que se sabe é que na hora de sentar e tomar as decisões, não abre mão de seus fiéis escudeiros. E as únicas mudanças que se tornaram públicas foi o afastamento de Festucci e Luis Pereira, a pedido deles, alegando que não tem autonomia nas decisões, porém sempre são citados com a conotação de que são responsáveis pelos insucessos no campo.

E esta vergonha ganhou novas proporções ontem, com o torcedor Botafoguense, tricolor no coração, a distância teve que se abdicar de assistir seu time em campo e passou a vestir as cores verde e branca e torcer fervorosamente pelo Palmeiras, para se livrar de uma humilhação maior que seria o Rebaixamento para a Série A2.

Se para os torcedores ficou o alívio de que “deu certo, de novo”, para a empresa ficou a garantia de pelo menos 30% do orçamento anual para 2021 foram garantidos.

O que esperar daqui em diante?

Com a Série B de 2020 previsto para daqui 11 dias, uma disputa do Torneio do Interior, que tem como atrativo prêmio financeiro e uma vaga na Copa do Brasil, que pode representar mais uma fonte importante de receitas, o Departamento de Futebol acena para apenas 3 ou 4 contratações para um elenco que com suas próprias forças não conseguiu se manter no Estadual acumulando 7 derrotas em 12 jogos e com apenas um ponto conquistado fora de seus domínios. Marcou apenas nove gols na competição com um detalhe: todos anotados por jogadores diferentes. E esta deve ser a base para o segundo semestre de 2020 para o torcedor Botafoguense.

A não ser que haja um reviravolta técnica muito grande, o que se pode esperar é mais sofrimento, angústia e quem sabe a missão de ter que adotar alguma Clube adversário para torcer nas rodadas finais para se salvar de mais uma humilhação no ano: o rebaixamento para a Série C.

E o Departamento de Futebol profissional, mesmo acumulando prejuízos e insucessos dentro do campo, não deve sofrer mudanças, pelo que se ouve no silêncio dos corredores da Arena Eurobike não sofrerá mudanças.

Festucci e Luis Pereira devem ser as únicas mudanças?

Será que apenas estes são os responsáveis pelo fracasso contínuo e recorrente no Futebol? Com a palavra os mandatários do Botafogo Futebol S/A.

Fotos: Agencia Botafogo

Da Redação K8 Rádio e Tv – Por Marcos Andrez